Peleja do Forró
Zé Testinha - Passos tradicionais e o mesmo tema há 34 anos (Ceará)
Pros lados da rodoviária, o trânsito é caótico, o comércio fervilha e o intenso vai e vem de pessoas há muito extrapolou o horário de picos. No final da Travessa Riachuelo, que beira a Borges de Melo, porém, o quadro muda de cores e o tempo parece outro. É ali que funciona o agora Centro Cultural Zé Testinha, a quadrilha junina que, desde 1976, mantém o mesmo tema, não inventa passo novo e aqui ou acolá insere composições próprias dentro do repertório que privilegia as canções de Luiz Gonzaga e Trio Nordestino. A iluminação do pequeno sítio não lembra aquelas luzes brancas da maioria da cidade e as casas (a família toda mora por lá) não têm forro. Que nem no sertão, na zona rural de Quixadá - origem de sua família.
``Aqui é quase como no sertão``, brinca Reginaldo Rogério, o próprio Zé Testinha (que não nega o apelido, mas estava de boné na última quarta-feira, quando recebeu a reportagem do O POVO). Um quase que se aproxima às aparências do lugar e àquela singeleza e rigor com que (parte d)o pessoal do interior constrói seu caminho. A esse rigor, aliás, foram adicionados os ensinamentos do marketing que Reginaldo adquiriu com toques de amigos e palestras às quais assistiu, como a de Lair Ribeiro. ``Descobri que eu tinha que ser um águia. Por que a águia? Porque ela é um animal que voa mais alto tem a visão diferente de todo mundo``. (Júlia Lopes)
O POVO - Quais são as suas primeiras lembranças de quadrilhas?
Reginaldo Rogério (Zé Testinha) - A minha tia dançava. Quando ela dançava, a gente era criança & somos seis filhos do meu pai. Quando eu tinha quatro anos, a minha irmã mais nova nasceu e a minha mãe ficava com ela e eu, que já caminhava com as próprias pernas, ia com essa minha tia ver os ensaios. Foi vendo quadrilha que eu passei a gostar de quadrilha.
OP - O que te emocionava lá?
Zé Testinha - O meu avô fazia muita festa, no interior. E no sertão, quando tinha uma festa, mobilizava todo mundo. Não se tinha costume de ter tanta festa. Então quando tinha vinha gente de fora, tinha gente que vinha dois dias antes. Era difícil o acesso, então vinha de cavalo, vinha pra tomar café, jantar e almoçar e ficar pra festa. A gente não sabe explicar porque que gosta, mas gosta. E isso veio se fortalecendo à medida que o tempo passava, a gente imitava os grandes, e isso foi crescendo. Com sete, oito anos, a gente já brincava de quadrilha no colégio.
OP - Quando as atividades começaram a se intensificar, ficaram mais profissionais? Foi com teu avô, teu pai ou contigo mesmo?
Zé Testinha - Eu acho que foi mais na minha geração, não foi em 1976, quando a gente tem a primeira notícia da quadrilha. Ao longo do tempo eu passei a ser uma pessoa organizada. Pelo estudo, pelo trabalho, a gente aprende a ser organizado. Apesar de eu ser mais vocacionado pra eletrônica, teve uma época que eu estudei marketing.
OP - Fez faculdade?
Zé Testinha - Não, foi por amigos, há uns 15 anos, eles entraram numa rede de marketing e me convidaram. Então eu assisti aulas, palestras, vi o Lair Ribeiro, um monte de gente conhecedora do assunto. Mesmo trabalhando à noite eu ia. E nisso eu comecei a jogar os conhecimentos na minha quadrilha. E eu aprendi que eu tinha que me organizar, cumprir horário e buscar a credibilidade que não tinham de quadrilha.
OP - O que mais você aprendeu com o marketing?
Zé Testinha - Eu ouvi falar muito de águia e descobri que eu tinha que ser um águia. Por que a águia? Porque ela é um animal que voa mais alto e tem a visão diferente de todo mundo: fazer com que o meu grupo crescesse sem precisar tá vendendo ele a um político ou um professor de folclore. Eu sempre pensei nisso aí, de ser um líder, uma águia. Você não vai mudar a minha opinião. É mais fácil eu mudar a sua opinião. Porque se não, eu não estaria fazendo quadrilha da mesma forma como eu comecei, sem fugir dos meus princípios. Eu quero conservar, eu só quero perpetuar. Eu aprendi que a gente tinha que ter um corrimão nas costas. Pra que o que eu fizesse hoje, eu estivesse garantido no próximo ano, que eu não criasse um monstro que eu não soubesse controlar. Eu não cairia porque eu estava segurando meu corrimão. O marketing me ajudou muito nisso. Trabalhar a marca & é muito feio esse nome Zé Testinha, né? É o quê, Zé Testinha? (risos). Começou com uma simples brincadeira: como eu tenho a testa avantajada, minha irmã me chamava de Testinha. E o meu nome é José. Mas depois ninguém trabalhou esse nome Zé Testinha, era Arraia Zé Testinha.
OP - Isso foi mais ou menos na mesma época em que as quadrilhas, como se diz no meio, estavam ``evoluindo``?
Zé Testinha - É. Mas ainda tem muito que se aprender dentro de quadrilha em termos de responsabilidade. A quadrilha hoje não é mais a quadrilha de bairro, pra se dançar numa rua. A gente passou a ser espetáculo. Você ensaia, ensaia pra apresentar o espetáculo. A gente deixou de ser tradicional. Porque a quadrilha tradicional é aquela em que você vai pra uma festa e não tem combinado nada. É como se chama: improvisada. Os demais restos de quadrilha eu denomino como quadrilha-show. Você apresenta o seu show.
OP - Você acha que dá pra fazer um paralelo entre a quadrilha do Zé Testinha, que é tida como tradicional, e as estilizadas?
Zé Testinha - Aí já é outra coisa. Você está falando da tradição da quadrilha e eu estou falando das quadrilhas tradicionais. As pessoas acham que as quadrilhas tradicionais é você botar um chitão (eu não considero chitão, porque um homem, da época, se botasse blusa florida, ele era tido como mariquinha ou coisa parecida. Hoje é outro nome mais forte. Mas ele não usava chitão, ele usava o xadrez). Na minha concepção, eu que fui criado no sertão (as minhas férias de colégio eram todas no sertão), até a forma de dançar do meu grupo foi tirada de lá. Você pode usar o chitão como marketing pras mulheres, mas para os homens é o xadrez que predomina. Então eu digo: por que a Zé Testinha é uma quadrilha tradicional? Ela é uma quadrilha-show, mas defende o tradicional. Eu conservo a forma de dançar, mas eu ensaio. Se eu não ensaiasse, eu era uma quadrilha tradicional completa.
OP - E o que você acha das estilizadas?
Zé Testinha - Primeiro, o que a gente tem que ver é que o São João ficou belíssimo. Belíssimo com a minha quadrilha desse jeito, aquela outra do outro jeito e assim por diante. Você vai assistir a um espetáculo, cada um com ideias e focos diferentes. O mais importante é que a gente nunca deve deixar de ver aquilo ali (e aponta para um santuário iluminado de luz azul): a religiosidade. Por que nós estamos fazendo (quadrilha)? Por causa de São João Batista. Nós fazemos quadrilha pra brincar e lembrar que São João Batista nasceu pra batizar Jesus Cristo. Porque as pessoas às vezes estão fazendo quadrilha pra ser a melhor. Se a gente não se preocupar com o andamento do São João, as criancinhas que estão hoje vão entender que a quadrilha é o que elas estão vendo. O que se faz com as quadrilhas hoje é bonito, não deixa de ser bonito, mas estão fazendo coisas que ao invés de manter a história junina, deturpa um pouco a história. A gente observa o vestuário de quadrilha e fica bobo: o que tem de São João ali? É uma visão, logicamente. A gente tem que tá aberto ao modernismo, à evolução dos tempos, mas com responsabilidade. Faz 34 anos que eu faço o cangaço, porque foi a maior riqueza que eu encontrei. E todo ano pra mim parece que é o primeiro ano. Parte da quadrilha, no começo, não quis mais brincar. O cangaço é rico na mitologia do Nordeste, nos adereços, e é identidade nordestina. Era a forma de eu participar com as com as quadrilhas estilizadas porque eu trago alguma coisa rica também. Só não é rica de brilho, mas de história. Mas aí você me pergunta: o que tem a ver São João com o cangaço? Os cangaceiros eram nordestinos, e gostavam de São João.
OP - A Federação começa agora a exigir alguns requisitos básicos para manter essa proximidade com as quadrilhas antigas. Como é que você acha que os quadrilheiros vão responder a isso?
Zé Testinha - Olha, eu estive, esse ano ainda, numa reunião da Unej (União Nordestina de Entidades de Quadrilhas Juninas), e pude fazer um parâmetro no que as pessoas pensam. A gente vê pessoas comprometidas com a cultura do seu estado. Hoje a gente vê vários tipos de quadrilhas e várias ideias diferentes, tem quadrilhas carnavalescas, por exemplo. A gente fica ali conversando, mas eu não coloco o meu pensamento. É aquela coisa: se você é Fortaleza e tá no meio da torcida do Ceará, você fica caladinho. Existe o seguinte: quem faz quadrilha porque gosta do São João e quem faz pra ganhar. Hoje em dia tem os temas. É muito parecido com as escolas de samba do Rio de Janeiro. Até o vestuário da quadrilha todinha é baseado em cima do tema. É uma forma de dizer que um explorou bem o tema, ou não explorou bem... Quem não tem um tema, eles rotularam como ``São João``, você tá entendendo? No fim, o evento que é dançar quadrilha, virou figurinha. Por causa da competição, as quadrilhas daqui tão ficando parecida com as de Recife, que são muito numerosas. Tem quadrilha lá que são 60 pares. Imagina 100, 120 pessoas dançando? Tem uma competição lá em Mossoró. Fui uma vez e Deus me livre de botar os pés lá de novo! Eles não querem ver quadrilha não. Eles querem ver espetáculo. Aí onde tá o negócio da tradição: se eu botar cenário, eu tô indo contra todos os meus princípios, eu tô evoluindo demais. Já eles não têm coragem de fazer o que eu faço. Em cima do que a gente faz, você tem que ter escolaridade. Eles já saíram da caverna, já sabem o outro lado. Não sabem mais voltar. Se eu chegar pra ti e disser assim: nós vamos ganhar, nós temos que ganhar, ganhar, ganhar, ganhar. Tu vai dançar lá e não ganha. Tu num ensinou a pessoa que tem que ganhar? Se não ganhou, eu vou lá pra que ganha. O que foi que aconteceu? Muitas quadrilhas deixaram de existir por causa disso. É uma bola de neve. Primeiro por isso. A outra bola de neve é que você começa a fazer muitas coisas mirabolantes, e vão aumentando tanto que você não tem condição de manter.
E-MAIS
> São João, para a quadrilha do Zé Testinha, é quase o ano todo. Pelo menos toda segunda-feira: ``Toda segunda-feira a gente se reúne aqui pra ir pro Pirata Bar. E lá é quadrilha mesmo, não é forró ou coisa parecida, não. É como se fosse uma micareta junina, um São João fora de época``.
> Geralmente são os próprios brincantes que pagam suas roupas. No Zé Testinha tudo é custeado pelo Arraiá. E quem disser que é porque é sempre a mesma roupa, Reginaldo contesta. ``Todo ano muda!``. Outras regalias dos quadrilheiros de lá é o ônibus com ar condicionado. Mas não vale levar acompanhante. ``Da metade pra frente vão os homens e da metade pra trás as mulheres``, diz, rigoroso.
> Muita gente que dança hoje na quadrilha é filho ou parente de alguém que já passou por lá. Vez por outra a entrevista era interrompida para vários ``boa noite``. Alguns, no entanto, são de fora. ``Esse aí (um rapaz que chegava de moto, com a farda do trabalho), paga alguém pra ficar uma hora no lugar dele enquanto ele dança quadrilha``, mostrou Reginaldo.
> Visitantes são bem vindos, e é certo encontrar conversa farta no sítio do Zé Testinha. ``Eu falo pelos cotovelos. E não sou só eu não, é a família todinha``. A movimentação por lá nessa época do ano se intensifica, com ensaios toda noite. E o entrançado de gente na casa também. ``Esse é meu irmão Ronaldo``, apresenta Reginaldo. ``Ele é poeta, faz cordel...``, ao que o irmão responde: ``Vixe, tudo isso?``
SOBE
As quadrilhas apostaram na beleza e não deixaram a prática morrer trazendo mais gente jovem para dançar, coreografar, musicar.
DESCE
Ao empresariado cearense, que ainda não acredita no potencial financeiro das quadrilhas juninas – que chegam a movimentar de R$48 a R$ 50 milhões por ano.
SOBE
Os momentos de integração que as quadrilhas promovem com as pessoas de uma mesma comunidade. São nos bairros da periferia que elas são mais numerosas.
DESCE
Os locais que não cuidam de toda a infra-estrutura necessária para a apresentação das quadrilhas, deixando os grupos expostos.
SOBE
Os novos compositores são estimulados a participar também: como a palavra chave das quadrilhas é inovação, eles acabam criando novas composições, enredos.
SOBE
A Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce), que instituiu um mínimo de passos tradicionais nas quadrilhas.
Fonte Vida & Arte
Quadrilhas de antes e de hoje - Século XXI
Uma imensa nau entrou na quadra de apresentação das quadrilhas e surpreendeu mesmo quem já conhecia a capacidade da Beija Flor do Sertão de se reinventar. De outra feita, a Paixão Nordestina representou uma fábrica de dançarinos, e os quadrilheiros aos poucos iam ganhando vida & começaram robôs e viraram brincantes. Não, as quadrilhas juninas do final do século XX e do começo deste XXI não são mais como aquelas, que a gente costuma dizer, ``de antigamente``. Mais que vestidos de chita, cabelo com trancinhas e dente preto feito da casca da mandioca, elas agora são construídas com aparatos dignos de uma escola de samba carioca. Ou seja: o puro luxo, glamour e sedução. ``Daqui a pouco, as quadrilhas pequenas vão se acabar``, vaticina William Santos, marcador & o marcador, hoje, faz o mesmo serviço do antigo puxador, e, se já era importante nas tais ``antigas``, nas atuais é ele pode fazer uma quadrilha ganhar um prêmio. Também dançarino e coreógrafo, William anuncia, com um olhar preocupado, como os novos brincantes, de pequenas quadrilhas, estão se encantando com as maiores delas, assim que são reconhecidos por algum talento. André Ribeiro, ao lado do amigo, já não tem o olhar tão endurecido, mas mostra a mesma aflição. ``Eles fazem de um tudo nas pequenas, ficam bons naquilo e são chamados & ou procuram & as grandes``.
Hoje coreógrafo da Pé Quente, de Maracanaú, William emenda: ``Num grupo grande tem uma produção que a gente tem que fazer e pagar (cada brincante paga a sua própria indumentária) roupa, maquiagem, lente de contato. O povo quer ver isso``. Juliano de Andrade, coreógrafo, estilista e outra variedade de ocupações dentro da quadrilha Cumpade Justino, também de Maracanaú, concorda. ``O São João ficou muito restrito. Se a quadrilha é muito tradicional, só com passos e roupas tradicionais, ela não ganha em canto nenhum. O povo quer ver beleza``. Mas quer participar, também. William lembra que as músicas & antes conhecidas do público, como os clássicos do Gonzagão & hoje são compostas para cada apresentação.
``Quando as quadrilhas iam para dentro das quadras elas tinham problemas com o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). E quadrilha não tem no seu orçamento como pagar Ecad. A quadrilha não tem como prever isso``, explica Gilberto Rodrigues, que é produtor e apresentador do Festejo Ceará Junino, a principal festa do período aqui no Ceará. As composições próprias não são, porém, a maior preocupação da moçada que se mobiliza para botar suas quadrilhas na rua. ``Se continuar assim, daqui a um tempo a gente não vai mais apresentar quadrilha, vai ser outra coisa``, imagina André. ``Antes, as quadrilhas eram para festejar o São João. Hoje é a encenação``, diz William, num tom que não deixa muito claro se ele lamenta ou aprova a situação atual.
Da metade da década de 1990 pra cá, e a quadrilha Luar do Sertão, do Pirambu (Fortaleza), parece ter sido a primeira a se aventurar nos ``modernismos`` da estilização, os folguedos começaram a explorar outras vestimentas, outros passos, outras possibilidades & tanto que se veem prestes a virarem algo que não quadrilha junina. ``A tendência, agora, é o regresso. A Federação (Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará, a Fequajuce) até exige que tenham pelo menos 12 passos tradicionais``, explica André. Não se usa mais chita, os festivais de rua vão rareando, mas muita coisa passa a ser exigida pelas competições no sentido de manter alguma proximidade com aquela quadrilha, aquela, ``de antigamente``.
Fonte: Vida & Arte Cultura
Encontro de Quadrilheiros em João Pessoa Paraíba
Foi realizado no ultimo sábado dia 24 de abril no bairro dos Funcionários IV na cidade de João Pessoa o encontro de Quadrilhas do bairro que contou com a presença de várias quadrilhas juninas da capital dentre elas as Quadrilhas Xote e Baião, Sanfona Branca, Flor do Mandacaru, Fazenda Lampião e a prata da casa a Quadrilha Junina Flor de Lírio, estiveram presentes também no encontro os coordenadores das Quadrilhas Juninas Lageiro Seco, Marcio Mendes e o coordenador da Junina Paraíba, Luciano Peixoto além da presença de grandes quadrilheiros, o encontro foi marcado pela sua organização e beleza onde poderíamos observar algumas surpresas em todas as juninas que ali passaram.A mais nova junina da capital a Flor do Mandacaru apresentou um belo espetáculo de dança, o coordenador Ricardo ex-sucupira nos passou algumas informações do que a quadrilha prepara para esse ano de 2010 no qual disse que a junina ira trazer muitas surpresas para toda a comunidade quadrilheira.
A Junina Flor de Lírio, apresentou para o publico o mesmo espetáculo do ano passado deixando-nos com um gostinho de quero mais, a junina mantêm seu novo espetáculo em sigilo no qual promete muitas surpresas, a junina que é uma comunidade católica da capital faz apresentações deixando o publico com os olhos cheios pelas suas belíssimas representações de fé demonstradas durante suas apresentações.
A Fazenda Lampião diferente do esperado por muitos esse ano inovou um pouco meio as suas coreografias, a Fazenda Lampião do bairro de mangabeira nesta capital esse ano irá levar para os tablados muita alegria e novos passos mas nada que tire o brilho da identidade da Quadrilha mais tradicional do estado, a Fazenda Lampião em seus 27 anos de existência trará esse o tema "Sou um Matuto Teimoso", o Coroné Chumbinho em demonstração de segurança em seu trabalho fez questão de anunciar seu tema para 2011 no qual iremos publicar nas nossas próximas edições.
A Quadrilha Junina Xote e Baião fez uma pequena participação muito breve no evento mas mostrou um pouco de seu trabalho, deixando em off o que trará esse ano para os tablados da Paraíba.
A Quadrilha Junina Sanfona Branca levou a publico um pouco do seu mas novo espetáculo a junina levou ao publico a festa da farinhada, a Sanfona mostrará esse ano mais um belo espetáculo bastante criativo e inovador marca registrada da Junina.
Fonte: Quadrilheiros da Paraíba
SANTO ANTÔNIO, SÃO JOÃO E SÃO PEDRO

SANTO ANTÔNIO, SÃO JOÃO E SÃO PEDRO
As honras, no Ciclo Junino,
são compartilhadas com mais fervor pelos três santos,
mas os mais antigos também louvam
São Paulo e São Gonçalo do Amarante.
Santo Antônio Casamenteiro
Antes de entrar na Ordem de Santo Agostinho e de São Francisco, ele era natural de Lisboa e se chamava Fernando de Bulhões. Na Ordem de São Francisco, em 1220, recebeu o nome de Antônio. Dedicou sua vida à caridade e ao amor , sendo canonizado pelo papa Gregório IX. Morreu aos 36 anos, em 13.06.1231, em Arcela, junto à cidade de Pádua. Foi elevado a santo antes de completar um ano de sua morte, ficando famoso como milagroso pelas graças alcançadas envolvendo o amor e o casamento.
No Brasil, a primeira notícia que nos chega de Santo Antônio data de 1588, já que nos conventos dos franciscanos de Olinda havia culto dedicado ao santo. Há notícias que em 1595, a imagem chegou a Sergipe del Rei, numa nau capitânia de piratas. Esta imagem foi colocada na Igreja do Convento dos Franciscanos da Bahia.
A identidade do povo com Santo Antônio se fez tão grande que foi natural o surgimento de ditos, piadas e versos contendo a irreverência do homem brasileiro.
"Santo Antônio pequenino
Amansador de burro bravo
Vem amarrar minha sogra
Que é levada do diabo"
"Santo Antônio me case já
Enquanto sou moça e viva
O milho colhido tarde
Nem dá palha nem espiga".
São João Batista, o anunciador de Cristo
A data de seu nascimento é de 24 de junho. Filho de Isabel, esposa de Zacarias e prima de Maria, mãe de Jesus. Segundo a tradição, por milagre de Deus, Isabel e Zacarias geraram um filho, quando, pela idade, já nem pensavam mais que isto acontecesse. Para a Igreja Católica, a vinda deste filho teve um significado maior, o de preparar a vinda de Cristo. O João, como foi chamado, não só anunciou e preparou a vinda do Messias, mas o batizou nas águas do rio Jordão.
Assim, quando se aproxima o dia do seu aniversário, é logo anunciado com o Acorda Povo - tradicional procissão, com danças e cânticos, às vezes profanos, que conduz a bandeira do santo, ao som de zabumbas e ganzás. Seu início é quase sempre a partir de zero hora e vai até o raiar do dia:
Acorda meu povo,
vem ver a "acordação".
Acorda todo o povo
Que é primeiro de São João.
Os festejos de São João, entre nós, conforme Pereira da Costa, em Folk-lore pernambucano - subsídios para a história da poesia popular em Pernambuco, remontam aos primeiros anos da colonização, na primeira metade do século XVI , na narração do Fr. Vicente do Salvador, quando relata que os índios participavam dos festejos dos portugueses "com muita vontade, porque são muito amigos de novidades, como no dia de S. João Batista, por causa das fogueiras e capelas" Segundo ainda Pereira da Costa, os capelistas - homens e mulheres coroados de capelas de flores e folhas -, percorriam alegremente as estradas e ruas dos povoados, cantando toadas, dentre elas, a que possui o conhecido estribilho:
Capelinha de melão
É de São João;
É de cravo, é de rosas,
É de manjericão.
Antigamente esses bandos de capelistas, além de percorrer as ruas alegremente, encaminhavam-se, de preferência, para o banho na Cruz do Patrão, no istmo de Olinda, "cujas águas, quer as de mar, de um lado, quer as do rio Beberibe, do outro, gozavam na noite de São João de particular virtude de dar felicidades e venturas" ou ainda na praia de Fora de Portas, lugar também preferido e assim, na ida para os banhos sanjoanescos, cantavam:
"Meu São João,
Eu vou me lavar,
E as minhas mazelas
irei lá deixar".
E na volta:
"Ó meu São João,
Eu já me lavei;
E as minhas mazelas
No rio deixei".
Além dos banhos, as fogueiras noturnas nas festas de São João, o anunciador, "crepitando em torno de uma bananeira e que constituem uma de suas características principais, vêm dos germanos e escandinavos, em honra de Freya, como refere Theóphilo Braga; e segundo Oliveira Martins, vinham já do tempo de Strabão, e constituiam o culto celtibérico por excelência". Como já foi dito, entre nós, a tradição de acender fogueiras em louvor a São João, nos foi legada pela Igreja Católica, divulgada pelos jesuítas e franciscanos.
São Pedro e São Paulo
Para encerrar o Ciclo Junino, encontramos São Pedro e São Paulo, os mais modestos nas comemorações do povo, e algumas referências colhidas por Fernando Augusto Gonçalves Santos são interessantes: "no dia 29, dedicado a São Pedro, só acende fogueira na porta quem se chama Pedro ou quem for viúvo. Isso já provoca uma grande diminuição na movimentação festiva e torna mais simples o encerramento do ciclo junino. Não tem São Pedro merecido a freqüência de versos irreverentes, o que o torna muito mais ligado ao aspecto religioso que ao festivo. Isto não impede, entretanto, que lhe seja dado o apelido de "porteiro do céu", impedindo que os manhosos e mentirosos entrem, no céu sem poder. Seu nome está ligado à devoção das viúvas, isto porque diz a tradição que teria sido viúvo também. Como foi pescador antes de seguir Jesus, é também santo dos pescadores."
São Paulo está ao lado de São Pedro nesse fim de festa, como diz o professor Leduar de Assis Rocha, acrescentando que, segundo a tradição católica, foi um dos fervorosos combatentes de Jesus, perseguindo os seguidores do cristianismo nascente, até o dia em que Jesus, perguntando-lhe por que tanto o perseguia, falou-lhe ao coração, transformando-o no amigo fiel, incondicional servidor e divulgador da doutrina cristã.
Como surgiu as Quadrilhas Juninas?
QUADRILHA JUNINAAo lado do sentimento religioso que o Ciclo Junino desperta na população, também o sentido de "festa" se amplia com as brincadeiras, as superstições e sobretudo com a musicalidade e a dança, expressões nítidas e fortes no jeito de ser nordestino.
As festas juninas têm início no dia 19 de março, dia de São José, justamente quando se dá o plantio do milho, cereal básico de toda a culinária do período junino. E a partir de então percebe-se a movimentação de artistas que se dedicam, como compositores e intérpretes, ao forró, xaxado, coco e ciranda, divulgando suas músicas, seus grupos de danças típicas e seus shows. Paralelamente ao trabalho dos produtores culturais, a juventude também inicia o natural burburinho de ensaios de quadrilhas - a dança típica do ciclo junino.
ORIGEM
Originária das velhas danças populares das áreas rurais da Normandia e da Inglaterra, a quadrilha chega ao Brasil através dos mestres franceses Milliet e Cavalier, como uma das danças de salão preferidas pela nobreza do século XVIII e XIX.
O pesquisador Lula Gonzaga diz textualmente que a quadrilha "tornou-se uma das mais animadas danças de salão da Europa, nos Estados Unidos e no Brasil durante o século XIX. Esta dança palaciana teve gosto na França no século XVIII, sendo muito popular na era napoleônica. Foi registrada na Inglaterra em 1815 e em Berlim em 1820. A data desta manifestação no Brasil foi possivelmente em 1820, quando sua presença era notada em festas palacianas em várias comemorações e até no carnaval.
No Brasil, os grupos da elite imperial, que procuravam acompanhar o gosto europeu em termos de moda, leitura, danças, e até comida, trouxeram o costume daquele continente no início do século XIX."
Esses costumes popularizaram-se de tal forma e em toda a parte, que perderam um pouco de sua pose aristocrática, saindo dos salões palacianos para ruas e clubes populares.
DANÇA PALACIANA
Enquanto dança palaciana, de elite, a Quadrilha tinha cinco partes com marcação em francês. Lula Gonzaga nos passa as informações mais importantes:
1ª parte: La chaine continue des dames (a corrente contínua de damas).
2ª parte: La nouvelle Traine (a nova corrente).
3ª parte: La corbeille (a cesta de flores).
4ª parte: Double pastourelle (dupla pastorinha).
Essas partes eram no andamento Alegro e Alegretto e finalmente, a 5ª parte: Boulangère (padeira) ou Casescroise (quebrado-cruzado). A quadrilha terminava por "En avant" geral ou "Galope", mais tarde modificado como polca, mazurca ou valsa.
Conforme Roberto Benjamin, "a quadrilha, hoje associada ao casamento matuto vai se transformando em um folguedo de natureza complexa. O casamento matuto é a representação onde os jovens debocham com muita liberdade e malícia da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial e suas consequências, do machismo, etc. Tal representação crítica acaba por reforçar os papéis sociais e os valores da moral tradicional.
Um aspecto deve ser evidenciado - os festejos juninos são a festa da adolescência, e da juventude, talvez ainda como uma reminiscência dos ritos de fertilidade".
CASAMENTO MATUTO. Foto: Flávia Lacerda O enredo é simples: a noiva quase sempre está grávida; os pais da noiva obrigam o noivo a casar; este se recusa; é necessária a intervenção da polícia; depois o casamento se realiza com o padre fazendo a parte religiosa e o juiz fazendo o casamento civil, sob as garantias do delegado e seus soldados. A quadrilha é o baile de comemoração do casamento. O enredo é desenvolvido em liguagem alegórica, satirizando a situação, às vezes, em palavreado chulo.
Personagens
O casamento matuto é representado pelos participantes da quadrilha. Os personagens são: os noivos, os pais do noivo, os pais da noiva, os padrinhos e as madrinhas, o padre, às vezes, o sacristão, o delegado, às vezes, com alguns soldados, o juiz com o escrivão; os demais integrantes do grupo são convidados. Incorporam também uma rainha e princesas do milho ou da espiga, escolhidas através da venda de votos, que é uma forma de angariar recursos financeiros para cobrir as despesas.
COREOGRAFIA
ANAVANTUR (EN AVANT, TOUT) - cavalheiros tomam as damas e andam de mãos dadas até o centro do salão, encontrando-se com a fila da frente.
ANARRIÊ (EN ARRIÈRE) - os pares, ainda de mãos dadas, voltam em marcha-ré até o ponto em que estavam e se separam, ficando cavalheiros em frente às damas.
TRAVESSÊ DE CAVALHEIROS (TRAVESSER) - as damas ficam paradas e os cavalheiros atravessam o salão parando em frente à dama do outro par, cujo cavalheiro faz também o mesmo. Ao se encontrarem com as damas dos pares da frente, dâos-se os braços, fazem duas meias-voltas, indo depois para seus lugares.
TRAVESSÊ GERAL - as duas filas atravessam o salão ao mesmo tempo, cruzando-se no centro pela direita. Ao chegarem aos lugares voltam a ficar de frente para o par.
BALANCÊ COM O PAR VIS A VIS - seguem somente os cavalheiros e ao se encontrarem com as damas, vão entrelaçando o braço direito no braço direito da dama. Dão duas voltinhas e retornam a seus lugares, ficando de frente para o par.
BALANCÊ COM SEUS PARES - cavalheiro de frente para sua dama. Ambos fazem o balanceio, sem sair do lugar.
GRANDE CHÈNE (GRAND CHAÍNE) CRECHÉ OU GARRACHE - a dama dá a mão direita ao cavalheiro e este a mão esquerda à direita de outra dama e passam a trocar de mãos e de dama até que voltam a encontrar os seus pares.
SANGÉ (CHANGÊ DE DAME) - os cavalheiros rodam as damas pela sua esquerda, passando-as para trás e a cada sinal do marcador, largam as mãos das mesmas e vão pegar as da sua frente até chegarem aos pares certos.
BEIJA FLOR - os pares seguem até o meio do salão, as damas estendem a mão direita para o cavalheiro beijar.
CORTESIA - os cavalheiros dão um passo para trás sem largar a mão da dama, ficando semi-ajoelhados. As damas dão duas voltinhas pela esquerda, os cavalheiros levantam-se e aguardam o próximo passo. CRUZ DE MALTA - os casais ímpares continuam rodando e os números pares vão-se infiltrando na roda, segurando-se nos punhos e formando rodas maiores. Os cavalheiros seguram nas mãos dos cavalheiros e as damas seguram nas mãos das damas, formando outro braço da cruz. Continuam rodando ao ritmo da música.
PASSEIO DOS NAMORADOS - o par guia sai com sua dama pela direita, o par seguinte sai pela esquerda e os demais vão imitando. Quando se encontram novamente, formam uma fila única, depois uma roda no meio da sala.
CAMINHO DA ROÇA - damas na frente, cavalheiros atrás, percorrem todo o salão, voltando aos seus lugares.
AÍ VEM CHUVA - todos fazem meia volta, marchando em sentido contrário.
É MENTIRA - Nova meia volta. Continuam marchando em roda.
CESTINHA DE FLORES - as damas levantam os braços, passando-os por cima dos ombros com a palma das mãos para cima. Os cavalheiros que estão atrás seguram as mãos da dama e continuam a marchar.
A PONTE CAIU - os cavalheiros sem largar as mãos das damas, fazem meia-volta e seguem a marcha na frente das damas.
PONTE NOVA - todos fazem meia volta pela direita sem largar as mãos das damas, continuam a marchar.
DAMAS AO CENTRO - damas formam a roda e os cavalheiros outra, por fora. Rodam todos no mesmo sentido, para a esquerda.
ARCO-ÍRIS - damas passam a roda para a direita, ficando as duas filas rodando em sentido contrário.
DAMAS EM RODA - os cavalheiros entram para dentro da roda sem largarem as mãos. Damas fazem a roda por fora e todos começam a rodar pela esquerda, procurando seus pares.
OLHA O TÚNEL - o par guia dá as mãos, levantando-as à altura dos ombros. O par próximo ao guia passa por baixo, e coloca-se ao lado, na mesma posição. Todos os demais pares fazem o mesmo.
CARACOL - os pares fazem fila indiana e a dama do par guia começa a marcha em direção ao centro do salão. Quando o caracol estiver bem unido, todos esperam a ordem do marcador.
FIM DE FESTA
As opiniões divergem bastante, entre os pesquisadores e até entre os organizadores de quadrilhas, mas o que importa, e independente da evolução e dinâmica que hoje se detecta no Ciclo Junino, é que a Festa do Fogo ainda aglutina, ainda provoca o sentimento de comunidade, de integração e, o que é mais importante, o sentimento de alegria, onde a dança, os gestos, o sorriso, a música - seja ela eletrônica ou com orquestra tradicional - determinam o jogo, a brincadeira, tão necessários à alma do ser humano, seja numa representação caricatural, seja ela tradicionalmente vinculada à espontaneidade do homem do campo.
CCBB prepara programação variada para homenagear o Dia do Folclore - Rio de Janeiro

Todos os povos têm costumes e tradições que passam de geração a geração, e que se consagram na história de cada país. No Brasil, a cultura popular é muito rica o que vai ser lembrado nesse sábado (22), Dia do Folclore.
O gerente de programação Danon Lacerda informou que o público vai encontrar dança folclórica de quatro países, Portugal, Espanha, Israel e Brasil, e também contação de história, laboratórios de música e diversas atividades para a família. “O folclore brasileiro é muito multifacetado, por essas influências que vieram de outros países e contribuíram para a nossa formação cultural em termos de dança, música e histórias”, afirma.
A programação é livre e grátis.
Fonte: Bom dia Rio
20 anos sem Luiz Gonzaga
Um dia uma pessoa saiu do seu canto, lá na serra do Araripe (...), atravessou a Rio-Bahia e chegou ao Rio de Janeiro. E com sua sanfona, através do seu suor e do seu trabalho, conquistou essa cidade. Mais tarde conquistou também São Paulo e todo Brasil. Hoje ele ainda é a mesma voz que representa o povo brasileiro naquilo do que é mais puro. Mais do que nunca ele continua cantando o Nordeste ainda marginalizado, esquecido, pisado na nossa realidade brutal. Mesmo assim, com sua alegria, com sua festa, com sua força em todos os cantos”.
O discurso feito por Gonzaguinha, no emblemático show Vida de Viajante gravado em 1981 resume bem o legado de Luiz Gonzaga no imaginário popular. “Rei do Baião”, “Mestre Lua” e “Gonzagão”, são algumas das alcunhas do cantor que foi um dos primeiros grandes sucessos midiáticos da MPB que se tem notícia.
Neste domingo, completa-se 20 anos que sua sanfona de 120 baixos parou de funcionar. Luiz Gonzaga morreu às 5h20 de 2 de agosto de 1989, no Recife, vítima das complicações de um câncer na próstata. O cantor tinha 76 anos e mesmo doente ainda gravou três discos naquele ano e fez seu último show pouco tempo antes da morte.
Por causa do artista, a sanfona, um instrumento de origem europeia, virou símbolo da cultura nordestina. Gonzagão ainda foi referência para inúmeros artistas que desembarcaram no Sul. Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Fagner... para não falar em Dominguinhos e Elba Ramalho. Todos louvam o Rei do Baião.
Luiz Gonzaga nasceu no Exu, cidade do sertão pernambucano, quase na divisa com o Ceará. Filho de sanfoneiro, desde pequeno se destacou com o instrumento, animando bailes e festejos juninos na região. Após passar nove anos no Exército como cabo corneteiro, começou carreira artística tocando na zona boêmia do Rio de Janeiro.
Conheça a cronologia de vida de Luiz Gonzaga
Conheça a discografia de Luiz Gonzaga
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Música de Luiz Gonzaga é referência para várias gerações
Pouca gente sabe, mas o cantor responsável por divulgar a cultura nordestina no Sudeste começou por outro lado. No início de carreira, Gonzaga tocava polcas, mazurcas, valsas e o foxtrot, numa época de profunda influência da música americana. Além disso, era impedido pela gravadora, a RCA, de cantar.
Após uma canção de Gonzaga fazer sucesso na voz de outro artista, a empresa percebeu o erro. O artista também passou a assumir um figurino misto de vaqueiro com cangaceiro. Em 1946 lançou “No meu pé de serra”: sucesso imediato.
No ano seguinte veio a consagração. A canção “Asa Branca”, feita em parceria com o médico cearense Humberto Teixeira, estourou nas paradas e o cantor passou a ser reconhecido nacionalmente.
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Queda e renascimento
O Mestre Lua seguiu emplacando um sucesso atrás do outro, tornando-se uma das lendas de sua época. No entanto, o movimento da Bossa Nova começou a tomar conta da mídia, com uma proposta de música mais atraente ao público do meio urbano. Gonzaga não tinha mais o mesmo espaço na crítica, mas sua coroa já estava colocada: virou ídolo dos nordestinos e continuou seu caminho de sucesso, ainda que longe dos grandes centros.
“De modo geral, as pessoas conhecem de pouco da sua obra, mas ele traz todo esse imaginário do sertão que é muito presente na cultura e na literatura. Essa ‘saudade da roça’, além de ser referência musical, leva as pessoas a pensar na vida e no passado”, define Ernest.
O cantor ainda teve muitos renascimentos ao longo da carreira e volta e meia voltava à mídia. Gilberto Gil foi um dos responsáveis, quando no auge do Tropicalismo, declarou que uma de suas principais influências era Luiz Gonzaga. Caetano Veloso também exaltou o sanfoneiro e chegou a gravar algumas de suas canções.
Em outra oportunidade, o produtor Carlos Imperial espalhou a notícia que os Beatles iriam gravar “Asa Branca”. Era mentira, mas o artista voltou às manchetes.
Na década de 80, foi a vez de Gonzaguinha, já famoso por seu próprio talento, levantar o Velho Lua. Pai e filho fizeram shows memoráveis pelo país, superando a conturbada relação que eles tinham até então.
Escute “Vida de Viajante”, com Gonzagão e Gonzaguinha:
Por várias vezes Gonzaga anunciou aposentadoria, mas sempre continuava a tocar. Comprou uma chácara em sua cidade natal, o Parque Asa Branca, e mudou-se do Rio de Janeiro, onde morava desde 1939. Ele próprio idealizou o museu, inaugurado por Gonzaguinha, em 13 de dezembro de 1989, quando o Lua completaria 77 anos. Seu corpo foi levado para lá, em um mausoléu no jardim.
Para saber mais:
http://www.luizluagonzaga.com.br http://www.gonzagao.com.br http://www.recife.pe.gov.br/mlg/gui/Index.php
http://www.reidobaiao.com.br
Fonte: Divirta-se
Quadrilhas fogem da caricatura do homem rural

A partir do termo tradição, historiador e antropólogo Hugo Menezes Neto investiga transformação dos grupos na Região Metropolitana do RecifeAtire a primeira espiga de milho quem nunca achou que as quadrilhas juninas que assistimos hoje nos arraiais são
Com coreografias ensaiadíssimas e figurinos luxuosos, as quadrilhas contemporâneas incomodam os mais conservadores. Foto: Jaqueline Maia/DP/D.A Press |
O trabalho de maior fôlego foi a dissertação de mestrado, agora publicada em livro para o leitor comum. O interesse maior do autor, ao iniciar a pesquisa, foi estudar o termo "tradição", utilizado para designar as quadrilhas do passado. "Meu caminho foi no entendimento da tradição como categoria de extrema importância para as manifestações da cultura popular, pensando que a compreensão sobre ela ainda ressoa os moldes do movimento folclorístico do século 20, ou seja, tradição como dado que aprisiona e impede transformações estéticas nessas manifestações", conta Hugo, sobre a pesquisa acadêmica que virou livro, intitulado O Balançê do arraial da capital - Quadrilha e Tradição do São João do Recife.
Hugo narra como a quadrilha chegou ao interior do Nordeste do Brasil, a partir das quadrilhas dos campos da Normandia, na Inglaterra. Sua adaptação pela corte francesa e expansão por toda Europa, até a chegada à corte brasileira, através de Portugal, como um conjunto de danças palacianas. Aqui, segundo Hugo, é ressignificada e dançada pelas camadas populares do interior do Brasil, no final do século 19. No início do século 20, volta à cidade como a caricatura do universo rural. "O que chamamos de quadrilha tradicional é uma caricatura do homem rural e da vida no campo construída em meio ao processo de urbanização no começo do século 20, que serviu para legitimar esse processo que relaciona o campo ao atraso, ao jocoso, ao passado, em contraste com a vida da cidade, relacionada ao moderno, a ciência e ao progresso", compara. Assim, diz ele, todos passaram a achar que a quadrilha começou com a estética matuta porque isso é tido como tradicional.
O pesquisador admite que ainda há preconceito sobre a estética não-matuta. "Muita gente ainda não entende, e como a tradição interfere no juízo de gosto e na experiência estética, as mudanças ainda incomodam, sobretudo àqueles mais consevadores e nostálgicos da 'quadrilha de antigamente'", diz Hugo,que é professor da Fafire na pós-graduação em Cultura Pernambucana e funcionário da Fundarpe. O pesquisador e brincante destaca um aspecto interessante das quadrilhas ditas estilizadas. É o fato dos trajes remeterem às roupas palacianas, cuja estética já foi um dia considerada "tradicional".
Segundo Hugo, as quadrilhas atualmente já passaram por uma fase mais experimental, onde até uma versão do clipe de Thriller (Michael Jackson) foi levada para uma apresentação. Atualmente, os grupos discutem o que é, ou não, tradicional, a partir das pesquisas que realizam para escolher seus enredos e sair às ruas. "É um momento de retorno, isso é fato, estamos mais tradicionais do que nunca e, mesmo que não pareça, os quadrilheiros são conservadores em muitos aspectos, não abrem mão de certos elementos que compõem a manifestação, como o casamento junino por exemplo", conta.
Fonte: Diário de Pernambuco, por Michelle de Assumpção
Trajes de festa junina ganham luxo e materiais inusitados - Ceará


As velhas sardas sumiram e os vestidos têm brilho. O glamour dos novos trajes juninos vai até o sapato.bochechas? Sumiram.
“Hoje em dia, a quadrilha está bem mais estilizada. É diferente da quadrilha tradicional. A maquiagem tem que ter brilho, glamour”, explica uma cearense.
Quem quer pular quadrilha com estilo precisa saber que os cabelos juninos também ficaram diferentes. Ganharam apliques, tranças longas. São tantas novidades no São João que tem gente inovando em coisas que nem aparecem, como a cinta liga.
No figurino caipira, os vestidos agora são feitos em materiais bem mais ricos e inusitados. “Muito babado, esponja, para armar o vestido, muita pedraria”, mostra uma costureira.
Mas se as roupas de quadrilha já estão prontas, como explicar máquinas de costura ainda com tanto serviço? A resposta está nas mãos do estilista de sapato Eliomar Ferreira. Ele emprega 15 pessoas na criação, corte e costura dos sapatos. “Fiz uma estimativa que cada quadrilha se apresentaria 36 vezes durante o período junino. Essa é a garantia do meu sapato”, diz Eliomar Ferreira.
Com passos bem ensaiados e um figurino de arrasar, os brincantes se encontram nos arraias espalhados por toda a cidade. O momento mais esperado é o do festival de quadrilhas. Na a abertura, tem até gelo seco e toques de teatro. O casamento matuto faz parte dessa explosão de cores e emoções.
Fonte: Bom dia Brasil
Festa junina acontece ao ritmo do bumba-meu-boi no Maranhão

Festa junina acontece ao ritmo do bumba-meu-boi no MaranhãoFonte: Jornal Hoje
Festa de São João mostra a beleza das quadrilhas em Alagoas

Festa de São João é resultado de 11 meses de trabalhoFesta junina no Nordeste é tradição levada a sério, paixão de família. O romance de José e Welida começou no arraiá. Hoje as filhas do casal também arrastam o pé no São João.
“A quadrilha faz parte da nossa história. Começamos juntos na quadrilha e estamos até hoje”, diz a engenheira civil Wellida Lima.
“Gosto porque sempre tem minha família toda. Todo mundo fica junto, dançando. Acho lindo”, elogia a estudante Stephanie Lima.
É uma tradição que se renova com muito glamour e status de espetáculo. “É um ano todo de dedicação, para a realização de mais um sonho”, conta um folião.
Sonho que conta histórias através de roupas, danças, música e cenário. É um leque gigante que se abre apresentando a quadrilha. Elementos para falar sobre a presença do Japão no Nordeste brasileiro. A equipe de produção chega a virar a madrugada para deixar tudo pronto.
“Sem dormir e às vezes até sem comer. O tempo é muito curto”, diz o aderecista Fagner Cassiano.
O figurino também dá uma trabalheira. Os croquis seguem o tema da quadrilha. As costureiras têm que fazer tudo igual. Para conseguir terminar todas as roupas a tempo e com capricho nos detalhes, é preciso dar um jeitinho. Uma equipe fica nas máquinas. Outra, nos bordados. Aja paetês e canutilhos.
Antes de entrar em cena, a última prova. Se tiver algo fora do lugar, coitada da dançarina: “Se não tiver o conforto, não dá para fazer nada direito”, diz.
É na hora de apresentar o resultado de 11 meses de trabalho que se vê a importância do figurino. Cada personagem ajuda a contar a história, o tema do São João. Tem Maria Bonita, com facão e cartucheira, tem princesa vestida de azul e branco, a rainha do milho não pode faltar. Pode ser também Emília, Visconde de Sabugosa, cavaleiros coloridos, com bandeirolas e fitas nas calças.
Como eles conseguem ficar com os chapéus na cabeça o tempo todo? As meninas também têm um jeito para arrumar os arranjos nas cabeças, com muito elástico e grampo. Para a saia, usam armação.
Viva o São João e a tradição no Nordeste.
Fonte: Bom dia Brasil
Quadrilhas tradicionais comemoram dia de São João na Paraíba e no Ceará
Fonte: Jornal Hoje
A influência francesa nas palavras das festas juninas

A influência francesa nas palavras das festas juninasTradição das festas juninas invade São Paulo
São João do Nordeste - 2009 - Paraíba - Pernambuco - Sergipe


Campinha Grande está em ritmo de São João
É a segunda maior cidade da Paraíba e tem um orgulho danado de um certo título que recebeu 26 anos atrás.
"Aqui nós temos o maior e melhor São João do mundo”, diz Ana Maria Lira, estudante.
Pernambucanos param tudo para curtir São João
O arraiá já está montado, com muito forró, quadrilhas e bacarmateiros. Para alguns, a festa se estende até a segunda-feira (29). Escolas, repartições públicas e o comércio param para que as pessoas possam curtir o arraiá.
E esse ano, a proposta é resgatar o tradicionalismo, as letras de Luis Gonzaga. Por isso, a batida eletrônica foi vetada.
Barcos de fogo garantem a festa nas noites de São João de Sergipe
Fonte: Globo.com
Costureiras fazem plantão para terminar roupas de quadrilhas juninas no Recife

Trabalho nos barracões fica agitado a menos de um mês do São João.Costureiras aumentam renda da família em até 20% nesta época.
Faltando menos de um mês para o São João, costureiras da região metropolitana do Recife trabalham em ritmo acelerado para preparar as roupas das quadrilhas juninas. Na sala e nos quartos da casa de uma delas, o que mais se vê são pedaços de pano. Ao todo, 13 metros de tecido estão na casa da costureira Maria de Fátima Barbosa.
“Eu sou um pouco indisciplinada com horário, mas trabalho muito à noite”, conta. “Começo à tarde e amanheço o dia costurando”. Há 10 anos, de abril a junho, a aposentada deixa de lado as tarefas domésticas para se dedicar à festa de São João. “Minha casa vira um barracão. Há muito tempo trabalho com quadrilha, eu e meus filhos gostamos muito.”
Quem faz parte da quadrilha também participa da confecção do figurino. “O trabalho é imenso. Ela precisa de muita mão de obra ela precisa para fazer saias e filó, mas compensa”, garante o produtor cultural Djair Brito.
Nesta época do ano, a costureira Adeilda de Souza suspende as encomendas para se dedicar apenas às roupas dos dançarinos da quadrilha junina. “Começo às 8h da manhã, aí trabalho até as 14h ou 15h. Mas quando vai chegando perto da apresentação, não tem mais hora, é até terminar”, diz. E é preciso mesmo correr. A fase eliminatória para as quadrilhas será realizada de 2 a 14 de junho.
Satisfação
O colorido do arraial sai caro. Cada roupa custa entre R$ 300 e R$ 500, e são 50 integrantes, em média, por quadrilha. Mas ainda há outros gastos. “São dois ônibus por noite, mais caminhão baú, produção cênica, figurino, tudo”, contabiliza o diretor de uma das quadrilhas, Sérgio Ricardo Lins.
Com o trabalho, as costureiras conseguem aumentar em até 20% a renda da família. “É como se fosse um extra, você atualiza as contas”, afirma Maria de Fátima. Para Adeilda, o maior pagamento de tanto trabalho é a satisfação. “É a alegria de ver o pessoal dançando, por si só já é gratificante”.
Maceió sonha ser a capital junina


ALAGOAS - Zabumba, sanfona e triângulo: durante dez dias o "trio parada dura" do forró pé de serra invade a capital alagoana e coloca 30 mil pessoas para dançar xote, xaxado e baião no Forró&Folia. A programação do maior arraial de Maceió conta com 20 trios de forró e 30 bandas locais e nacionais. Os ritmos, claro, vão além do forró, para agradar a todos os gostos e encher a cidade de matutos e prendas com vestidos de chita.
Vários cenários são montados para servir de palco para as atrações. Apesar da predominância do tradicional forró pé de serra, a cada ano novos estilos musicais ganham mais espaços no São João alagoano, como o forró eletrônico, o sertanejo, o brega e o axé. "O importante é que o ritmo seja o carro chefe da festa, mas nada impede que outros estilos façam parte do arraial. Isso também é espírito junino", justifica o organizador do Forró&Folia, o radialista Gilberto Lima.
Entre tantos ritmos e danças, na hora que bate a fome o público tem uma grande variedade de comidas típicas das festas juninas do Nordeste à disposição, sendo o milho o ingrediente mais saboroso. Aqui curau se chama canjica e canjica se chama mugunzá. Só a pamonha se chama pamonha mesmo, como no restante do País. Todas essas delícias, expostas ao lado de barracas de artesanato local, ficam concentradas em uma vila cenográfica que retrata uma típica cidadezinha do interior nordestino.
Criado em 2000, o Forró&Folia caiu nas graças do povo alagoano e transformou Maceió em um grande arraial. Neste ano, os investimentos na festa chegam a R$ 1 milhão e os organizadores sonham em superar Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, em público e arrecadação. Pode parecer ambicioso, mas se o pernambucano Luiz Gonzaga ainda fosse vivo, provavelmente sentiria orgulho da festa junina alagoana, onde a terra arde com a fogueira de São João no ritmo da Asa Branca e nas passadas dos milhares de casais que dançam até o dia clarear.
CANGAÇO
Para se preparar para os festejos juninos com muita sanfona e histórias de cangaceiros, as prefeituras de Água Branca, Delmiro Gouveia e Piranhas, cidadezinhas alagoanas que registraram várias passagens pela região do Rei do Cangaço, Lampião, se uniram para realizar o Forró, Sanfona e Cangaço.
O evento, com duração de três dias, terá debates sobre tradições cangaceiras, com a participação da filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita Ferreira, e rodas de sanfona e forró com os melhores músicos do Estado de Alagoas.
Forró&Folia:
20 a 30 de junho no estacionamento do bairro histórico do Jaraguá, a partir das 19h
CONCURSO LEMBRA CARNAVAL
A definição do tema é feita quase um ano antes. Daí para frente é iniciada uma maratona de ensaios de coreografias, ajustes nos ritmos e sons, confecção de figurinos e alegorias, tudo para se consagrar o grande vencedor. Não, não estamos falando do desfile de carnaval, mas do tradicional Concurso de Quadrilhas de Alagoas e uma das principais atrações do Forró&Folia.
Ao todo, 24 equipes da Liga das Quadrilhas Juninas de Alagoas (Liqual) se apresentam ao público que lota as arquibancadas do bairro histórico do Jaraguá. A campeã representa Alagoas em um concurso regional entre os nove Estados nordestinos.
Em 2009, Fortaleza, no Ceará, será sede da competição, que, de tão criativa, teve de ser dividida em três categorias: tradicional, estilizada e recriada.
No ano passado, 3 mil pessoas foram à Orla do Atalaia, em Aracaju, Sergipe, para ver a quadrilha "Arraiá Zé Testinha", do Ceará, levar o título de vencedora do concurso regional. Ela fez uma homenagem ao Rei do Cangaço, Lampião. O júri, composto por representantes de todos os Estados do Nordeste, avalia os quesitos entrada no arraial, animação, repertório musical, evoluções e coreografia, alinhamento, vestuário, marcador e casamento. Um verdadeiro quadrilhódromo nordestino.
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